“Eu, Daniel Blake”: Cine Debate do CRP-23 discute a saúde do trabalhador no contexto de retrocessos

 

DSC_0988

 

“O filme foi tocante e o debate instigante. Saímos de lá com disposição para levar adiante a discussão sobre as reformas que tendem a dificultar a vida dos trabalhadores. Diversos pontos de vista e novos caminhos foram apontados para a ainda possível construção de uma sociedade mais justa e solidária.” Este foi o relato da funcionária pública Carla Larissa Moura sobre o cine debate promovido pelo Conselho Regional de Psicologia do Tocantins na noite da última quarta-feira (23).

‘Eu, Daniel Blake’, longa metragem vencedor da Palma de Ouro 2016, foi o filme exibido para provocar o tema do cine debate: ‘A saúde do trabalhador no contexto de retrocessos: possibilidades e desafios para a psicologia’. A atividade fez parte da programação do ‘Agosto da Psicologia’ e foi mediada pelos psicólogos Arthur Dunck e Ângela Rebolças.

O filme, dirigido pelo renomado cineasta britânico Ken Loach, conta a trajetória de um viúvo senhor que luta pelo acesso à assistência do Estado diante de um grave problema cardíaco que o impossibilita de trabalhar. A história fictícia, retrata uma realidade comum aos trabalhadores do mundo e tem motivado importantes reflexões acerca da inassistência do Estado quanto a saúde do trabalhador.

O psicólogo Arthur Dunck, convidado para mediar o cine debate, disse que o filme foi um catalisador para o público falar de experiências profissionais, de opiniões sobre a recente realidade política e econômica e sobre o sofrimento psíquico do trabalhador. “Como mediador, me senti satisfeito com o rumo do debate e com a espontaneidade em que o público perdurou com falas e mais falas, demonstrando o papel ativo de participação.”.

A psicóloga pesquisadora do CREPOP no CRP-23, Carmen Hannud, acompanhou a atividade e, a partir da análise do filme e das intervenções dos participantes, fez as seguintes considerações:

“O Cinedebate nos proporcionou uma reflexão fundamental: pensar a Saúde do Trabalhador é pensar o Humano como Sujeito de Direito. Isso significa que, no contexto da Reforma Trabalhista e na esteira de possibilidades a respeito de uma Reforma Previdenciária está em jogo a relação entre o trabalhador e o Estado, por um lado, e, no âmbito da Psicologia das Organizações, a relação entre o psicólogo ou a psicóloga e o gestor, o diretor e assim por diante. Assim, podemos apontar que um caminho possível para uma atuação humanizada em Psicologia seja compreender o trabalhador como um sujeito de direitos e, desse ponto de partida, engajar-se para que, desde o primeiro contato do trabalhador com a e empresa por meio da Seleção e do Recrutamento de Pessoas, ele se reconheça e seja reconhecido como tal.”

Carmen Hannud pontuou ainda que a Psicologia possui arcabouço teórico e metodológico para transformar os espaços e a categoria precisa se articular, debater, estudar e criar estratégias para seguir na história fazendo a diferença e cumprindo com seu Compromisso Social, tanto no âmbito público, quanto no âmbito privado.

As atividades do ‘Agosto da Psicologia’ serão desenvolvidas até o dia 28 do mês. Conheça a programação completa e participe!

Comente via Facebook

Comentário(s)