A atuação da Psicologia no combate à COVID-19 no Tocantins: Percepções a partir do relato de experiência da psicóloga Patrícia Martins Araújo

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Há cerca de oito meses a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o estado de pandemia da Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). O vírus foi identificado em dezembro de 2019 na província de Wuhan na China e se alastrou rapidamente acometendo praticamente todas as regiões do planeta. Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) até 30 de outubro de 2020 foram confirmados no mundo 44.888.869 casos de COVID-19 e 1.178.475 mortes.

Dados da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, mostram que a América Latina é a região mais atingida pelo coronavirus, com cerca de um terço dos óbitos. Na escala mundial o Brasil ocupa a segunda posição em quantidade de óbitos, mais de 160.500 brasileiros já morreram em decorrência da COVID-19. No nosso Estado, Tocantins, os últimos registros confirmam 75.680 casos de pessoas infectadas pelo novo coronavirus com 1.100 óbitos.

As informações acima são importantes para lembrar que, apesar da baixa e recente estabilidade dos números de infectados por COVID-19 em alguns países, a pandemia infelizmente ainda não terminou. Neste contexto, milhares de trabalhadoras e trabalhadores da saúde continuam expostos cotidianamente na linha de frente de combate ao vírus. Dentre estes, os profissionais da Psicologia desempenham papel fundamental no suporte emocional aos pacientes, familiares e às equipes de demais profissionais que atuam direta ou indiretamente nos espaços de enfrentamento à pandemia.

A psicóloga Patrícia Martins Araújo (CRP 23/439), que atua no HRAug – Hospital Regional de Augustinópolis, é um dos exemplos do quanto é notória a diferença positiva que as(os) profissionais da Psicologia fazem no atendimento às vítimas do novo coronavírus (COVID-19).

No documento intitulado ‘Um breve relato da experiência vivenciada na internação do ISOCOVID no município de Augustinopolis-TO, especificamente no HRAUG – Hospital Regional de Augustinópolis’, a psicóloga traz pontos negativos e positivos sobre a realidade de estar na linha de frente de uma das grandes pandemias da história da humanidade e que já é considerada o maior desafio do século XXI.

Segundo Patrícia, atuar diretamente no combate ao coronavírus era um desejo desde o início da pandemia:

“Embora trabalhando em UBS, era como se isso se tornasse insuficiente, diante desta nova possibilidade (…) Não era o risco que me atraia, mais a possibilidade de cuidar de pessoas tão fragilizadas. E então mais uma vez, fui ousada, destemida, e confesso, a PANDEMIA NÃO ACABOU, continuo correndo todos os riscos possíveis. Porém totalmente realizada por ter vivido e estar vivendo uma experiência única, talvez a mais incrível de toda a minha vida. Estou contribuindo com a história do meu país, estou fazendo a minha história, e mais uma vez como costumo dizer na qualidade de docente, estou escrevendo uma história sobre a minha vida que me dê orgulho de ler no futuro. ”.

A psicóloga conta que neste processo foi preciso enfrentar inúmeros desafios para desempenhar sua função e conseguir intervir positivamente no cuidado à saúde mental das pessoas afetadas pelas circunstâncias e consequências da pandemia:

“Até aqui foram inúmeras as perdas, partilhei de muita dor, angústia, sofrimento, vi nos olhos de muitos pacientes a tristeza e a solidão causada pelo isolamento, medo de morrer, medo de não voltar pra casa, medo do desconhecido, sentimento de abandono… choro, silêncio total, crises de ansiedade, surtos, desesperança, negação do adoecimento, resistência ao tratamento, expectativas de altas frustradas, familiares dormindo na porta do hospital… foram inúmeros os acompanhamentos familiares para dar suporte no momento da notícia de morte, situações em que de maneira empática por muitas vezes senti a dor do outro e me solidarizei de forma gigantesca, sem se quer poder dar um abraço!”

Se por um lado foi muito difícil, por outro lado Patrícia fala também sobre a satisfação de presenciar verdadeiros milagres e receber a gratidão de tantas pessoas que puderam retornar à suas casas recuperados e com novas perspectivas de vida.

“Presenciei verdadeiros milagres, pacientes que tiveram a chance de sair do leito da morte quando não nos restava a menor esperança, resiliência, humildade, relatos de gratidão, relatos de nova percepção de vida, aniversários comemorados ali com estranhos, porém comemorados… alegria em rever a família mesmo que em chamadas de vídeos (…) Por muitas vezes usei o toque como terapia, um aperto de mão, um gesto no rosto, ou cabelo, uma forma de dizer… ei estou aqui, conte comigo! não sei fazer milagres mais estou aqui.”.

Ao final do relato, a psicóloga Patrícia Martins Araújo, que permanece atuando na linha de frente de combate à COVID-19 no Hospital Regional de Augustinópolis, se diz grata aos pacientes, familiares e a equipe de trabalho do ISOCOVID.

“Sou grata pela oportunidade de presenciar muitas equipes trabalharem com amor e dedicação, muito, muito grata por toda e qualquer emoção vivida no contexto hospitalar em período de pandemia, tendo sido essa emoção negativa ou positiva.”.

O relato de experiência da psicóloga Patrícia Martins Araújo foi publicado no Jornal do Bico no dia 27 de outubro de 2020 e pode ser lido na íntegra no link abaixo:
Um breve relato da experiência vivenciada na internação do ISOCOVID no município de Augustinopolis-TO, especificamente no HRAUG – Hospital Regional de Augustinópolis

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